O cavaco dentro de uma escola de samba

O cavaco dentro de uma escola de samba

 

  Caro leitor,

         Vou começar falando sobre a importância do cavaco dentro de um desfile de uma escola de samba.

Tudo começa no esquenta da bateria antes do desfile, geralmente enquanto a bateria está aquecendo, esquentando os foliões com sambas enredos antigos.

         A turma da harmonia (cordas) juntamente com os intérpretes, se integram e começam “puxando” os sambas antigos. Antes de cada samba enredo começar, é preciso que o cavaco dê o tom que o samba será interpretado. Daí vem a famoso grito do intérprete: “chora cavaco”. Nessa hora a adrenalina do cavaquinista fica a “milhão”...hehehehe... A responsabilidade está na mão dele, cada palhetada ecoa pela passarela do samba... A cadência é ditada por ele... Aí, é a hora que o menino chora e a mamãe está longe...hehehehe...

         Geralmente, o samba enredo é passado (cantado), de duas a três vezes somente com a harmonia e os intérpretes, depois, vem a hora em que é feita a fusão entre a harmonia musical e a bateria. Opa! Outro momento de responsabilidade e de grande importância, pois, se essa fusão não for bem feita, acontece a famosa atravessada no samba... hehehe... Mas se o cavaquinista estiver em total harmonia com o mestre de bateria, isso dificilmente acontecerá... A partir daí, a escola já coloca a primeira marcha e o desfile terá início.

         Durante o percurso do desfile, a bateria realiza as convenções (famosas paradinhas), outro ponto crítico que o cavaquinista tem que está totalmente ligado! A bateria vai realizar uma variação nas batidas, o cavaquinista não pode perder o compasso, os surdos de primeira (marcação do compasso), vão se ausentar por alguns instantes, aí é que entra a experiência, o ouvido e a precisão (malandragem) do cavaquinista, para não deixar os interpretes e os demais saírem do compasso ao término da convenção. Isso vai acontecendo durante todo o desfile, ou seja, 100% de atenção durante todo o percurso. É turma, a coisa não é tão simples igual se parece.

         São muitos anos de experiências, aprendizado com os mais experientes, troca de idéias, várias idas na cidade maravilhosa (Rio) e muitas horas de escuta de sambas enredos, sem contar os vídeos de desfiles do Rio, com os ouvidos voltados para as cordas. Bom, eu não posso esquecer, de todos aqueles que me ensinaram na prática, como se tocar um cavaco, na cadência/palhetada de samba enredo. Não vou citar nomes, para não correr o risco de esquecer de algum dos mestres...

            Mas ao final de um desfile, sempre vem à recompensa, a escola passa com um samba liso (sem nenhuma atravessada na harmonia musical), harmonia perfeita! Aí cabe até um solinho do “Tema da Vitória – Ayrton Senna” do cavaquinista com a Genial (bateria da Moralistas do Samba)!!! Alô Tachinho, há meus tempos!!! Muita gente se emocionou, quando eu executei esse solo com a Genial pela primeira vez em Sabará... Chego a ficar arrepiado, só de lembrar...

         É isso caro leitor, tentei aqui resumir a função/importância/responsabilidade, de um cavaquinho em um desfile de uma escola de samba. Às vezes coloco um pouco de emoção nas palavras, mas é que pra quem já ocupou esse cargo dentro de uma escola, sabe o que é, é difícil escrever e não arrepiar lembrando dos momentos nos desfiles.

 

Até o próximo.

 

Abraço;

Tachinho.