SINOPSE DO ENREDO CARNAVAL 2011

 

Cana caiana, cana verde, cana fita... Magia transforma cana em energia

Cana der açucar, o doce sabor do prazer

Antiguidade - Originária da Nova Guiné, o homem teve o primeiro contato com a cana-de-açúcar, onde a sua existência era tida como em estado de planta silvestre e ornamental. De lá, a planta foi para a índia. No "Atharvaveda", o livro dos Vedas, (escritura sagrada do povo indiano), há uma curiosa passagem, onde parecem atribuir à cana-de-açúcar os efeitos de um fetiche de amor: "Esta planta brotou do mel; com o mel a arrancamos; nasceu a doçura... Eu te enlaço com uma grinalda de cana-de-açúcar, para que me não sejas esquivas, para que te enamores de mim, para que não me sejas infiel". A palavra açúcar é derivada de "shakkar" ou açúcar em sâncrito, antiga língua da Índia.

Descoberta do Ocidente - Os árabes introduziram o cultivo da cana-de-açúcar no Egito no século X, onde se estabeleceram as verdadeiras rotas do açúcar, com caravanas que faziam o transporte entre os paises asiáticos e africanos. Os Egípcios foram os pioneiros no desenvolvimento do processo de clarificação do caldo da cana e um açúcar de alta qualidade para a época.

O açúcar era consumido por reis e nobres na Europa, o produto era de tal maneira cobiçado que foi apelidado de "Ouro Branco", por isso, quantidades de açúcar eram registradas em testamentos por reis e nobres.

Chegada ao Brasil - Um dos propósitos para descoberta de novas terras, na época das Grandes Navegações, era a falta de áreas cultiváveis na Europa em que pudessem prosperar espécies de plantas como a cana-de-açúcar, cujo o produto, o açúcar, era escasso e caro no Velho Continente. Com o descobrimento do Brasil, as primeiras mudas de cana-de-açúcar, conhecida na Europa como a planta de "Canas Doces", foram trazidas da Ilha da Madeira para a América, em 1532 na expedição de Martim Afonso de Souza. A cana-de-açúcar espalhou-se rapidamente pelo solo fértil de massapê, com a ajuda do clima tropical, quente e úmido,além da mão-de-obra escrava, trazida de diversas regiões da África. Na verdade, o elemento nativo, o índio bravio, que teve suas terras invadidas pelo branco colonizador, logo demonstrou a sua incapacidade física para suportar as canseiras do trabalho sob o chicote do senhor; e dai ter sido o negro cativo o principal agente na faina de enriquecer um país em formação, sobretudo no chamado "Ciclo da Cana-de-Açúcar".

No Brasil Colônia, a cana-de-açúcar virou moeda. A Coroa portuguesa não dispunha de recursos suficientes para uma exploração mais aprofundada do território descoberto, Para isso, o Rei Dom João dividiu as terras pertencentes a Portugal em Capitanias Hereditárias, Dai por diante a expansão da cana-de-açúcar ocorreu de modo crescente, enquanto todas as capitanias consolidavam suas implantações através de canaviais e formações de engenhos. Na Capitania de Pernambuco, pertencente a Duarte Coelho, implantou-se e floreceu o primeiro centro açucareiro do Brasil.

Os centros produtores eram implantados no meio das plantações de cana e correspondiam em:

Casa Grande - morada dos senhores de engenho e familiares,

Senzala - onde os negros escravos eram trancafiados,

Engenho - com diversas construções destinadas as várias fases de processamento do
açúcar.

Às etapas da produção de açúcar no período colonial e como o produto era comercializado:

Casa da Moenda, onde a cana era esmagada em cilindros movidos por rodas d'água ou parelhas de boi,

Casa das Fornalhas, o caldo extraído da moagem era concentrado em tachos de cobre e transferido para as formas, onde o açúcar cristalizava.

Casa de Purgar, a massa resultante do processo era purificada e dividida em pães de açúcar, assim o açúcar era comercializado no Brasil. Vale lembrar que um dos maiores cartões postais do Brasil, o Pão de Açúcar no Rio de Janeiro, foi denominado pelos colonizadores desse modo, por acharem a pedra parecida com a forma de barro empregada nos engenhos de açúcar para coagular o caldo da cana.

A Cachaça no Brasil – Além de produzir açúcar da cana, os engenhos passaram a fabricar uma bebida feita da borra do sumo da cana, considerada de qualidade inferior, e usada para amaciar a carne de animais, e também consumida pelos escravos, para que ficassem mais dóceis ou para curá-los da depressão causada pela saudade de sua terra.

Cultura Popular – Mais do que elemento essencial da formação e do desenvolvimento do Brasil, a cana-de-açúcar transformou-se em parte integrante do imaginário do povo brasileiro em estórias e causos. Há uma lenda, muito conhecida que explica a origem do açúcar e da aguardente, que se conta assim: Nosso Senhor, chupou uns gomos de cana, matou a sede e ao sair abençoou as canas, para que dessem um alimento bom e doce para o homem. E assim veio o açúcar. Acontece que, no mesmo dia, o diabo saiu das caldeiras, chupou um gomo de cana, mas o caldo estava azedo, caiu-lhe no goto e lhe queimou a goela, ficou uma fera e amaldiçoou a cana, e disse que os homens dela tirariam uma bebida tão ardente como o fogo do inferno. Dai veio a Cachaça. O número de quadras populares sobre ou apenas com referência à cana, ao açúcar, à cachaça, ao melado, ao engenho é muito grande. Também em cantorias, destaca-se uma das maiores cantoras de canções regionais brasileira, Inezita Barroso, com a música "Moda da Pinga", que tanto sucesso fez e faz até hoje, entre outros cantores. Romances, poemas e pinturas, muitas são as formas encontradas para exaltar a cana-de-açúcar, por diversos artistas, em diversas formas Iírico narrativas, também em ditos e provérbios, encontramos referências á vida açucareira.

Ao longo dos tempos a doçura sempre foi relacionada com a pureza e com o prazer, como uma das mais agradáveis e sutis sensações. O que é doce nunca amargou, e nada prende mais os olhos do que um alimento açucarado. Antigamente na cozinha o açúcar, servia para temperar o amargo e o ácido de certos alimentos, hoje em dia tem uma forte presença e destaque pelas suas qualidades e variedades de açúcar, desdobrando-se em várias utilidades no preparo de doces, bolos e confeitos, biscoito, bebidas e etc..., não esquecendo das muitas receitas da culinária brasileira onde o ingrediente que dá um toque especial é a cachaça.

Diversidade, flexibilidade e adequação à necessidades do meio ambiente - A cana-de-açúcar é matéria-prima de grande flexibilidade. Com ela é possível produzir álcool de vários tipos, gerar eletricidade a partir da queima do bagaço nas caldeiras, via alcoolquímica. Da cana se aproveita absolutamente tudo: bagaço, méis, torta e resíduos de colheita.

Do melaço, além do álcool usado como combustível (álcool hidratado e álcool anidro), e na indústria química, farmacêutica e de cosméticos, extraem-se levedura, mel ,ácido cítrico, ácido lático, glutamato monossódico e desenvolve-se a chamada alcoolquímica - as várias alternativas de transformação oferecidas pelo álcool etílico ou etanol.

A cana-de-açúcar gera, portanto, assim como o petróleo, incontável número de produtos, de fermento a herbicidas e inseticidas, com importante diferencial: são biodegradáveis e não ofensivos ao meio ambiente.

Com toda infra-estrutura em terra, clima e tecnologias, o Brasil deu a partida ao mais ambicioso programa de energia renovável, um jeitinho brasileiro de abastecer. Destilarias foram criadas anexas às decadentes usinas de açúcar. A indústria automobilística apostou na energia que nascia do chão brasileiro. Mas o que era doce se acabou. O fantasma do desabastecimento e a queda do preço do petróleo entornaram o caldo do programa. A semente, entretanto, continuaria viva e cada vez mais viável para enfrentar a estrada desse futuro tão presente.

O terceiro milênio traz consigo a esperança e a necessidade de apostar em novas fontes de energia. No vai-e-vem da economia, a guerra pelo petróleo acelera a aposta do homem em combustíveis de fontes renováveis. Foguetes alcançam o espaço impulsionados pela força do combustível verde e limpo. O futuro aplaude e o meio-ambiente agradece.

 

A cana-de-açúcar poderá ser considerada como a cultura agrícola mais importante da história da humanidade, pois provocou o maior fenômeno em termos de mobilidade humana, econômica, comercial e ecológica.