Tijuca de Paulo Barros.

 

 

Criativo e clássico, Paulo Barros une os dois estilos e mostra as fantasias do carnaval 2011

 

A criatividade do carnavalesco Paulo Barros não cabe apenas nos restritos 82 minutos de desfile. O atual campeão do carnaval transformou o barracão da Unidos da Tijuca em um grande cinema para exibir os protótipos das fantasias do enredo "Esta noite levarei sua alma", que será desenvolvido no Carnaval 2011. Tinha vendedor de pipoca, de bala, e claro, uma imensa tela onde eram exibidos trechos de filmes, que serviram de inspiração na criação das fantasias. Para manter sigilo foi proibido tirar fotos ou filmar as fantasias.

Mais uma vez, o carnavalesco optou em colocar dois estilos diferentes nas roupas: o clássico e o ousado. A combinação foi bem executada com direito a pitadas de humor e uma espécie de realismo. Ao ver determinadas fantasias, era impossível não ouvir da plateia a frase "é igualzinha a roupa do filme". Destaques para as reproduções perfeitas do dinossauro de "O Parque dos Dinossauros" e a galinha em "A fuga das galinhas".

Pendurado por um guincho aproveitado da estrutura do próprio barracão da Tijuca surgiu o mestre de cerimônia da festa: o Barqueiro da Morte, Caronte. Segundo a mitologia grega, é ele que atravessava as almas dos mortos para o outro lado do rio. Com a voz grave e uma roupa escura, ele apresentou as primeiras duas fantasias da festa. A bateria e a ala dos passistas serão uma espécie de "lanterninhas" típicos dos cinemas mais antigos. O ritmista entrou ao som de "no escurinho do cinema", clássico de Rita Lee, com uma fantasia dourada, portando uma lanterna.

Star Wars, Último Samurai e Transformers

Depois, a apresentação das fantasias sempre seguiu a mesma fórmula: parte de um filme era apresentado ao público até que surgia a fantasia de dentro da tela, como se estivesse saindo da ficção para a realidade. O primeiro filme exibido foi "A missão" para contextualizar a ala das baianas, que entrou logo em seguida. Para 2011, Paulo Barros preferiu vestir as senhoras tijucanas com um traje mais clássico, com pluma e adornos bem tradicionais, usando as cores da escola. No mesmo setor, foi apresentada uma roupa típica do exército de "O último Samurai", com uma fantasia que abusava do vermelho e tinha símbolos orientais. Logo em seguida, o filme "Transformers" ganhou um espaço no enredo, com a reprodução muito real de um robô, com uso de acetato. Paulo Barros ainda reservou lugar na poltrona para o clássico "Star Wars", já lembrado em alguns enredos elaborados pelo artista.

O setor seguinte foi "batizado" com os personagens que não tinham medo. Entraram na lista, o famoso Capitão Gancho, inimigo de "Peter Pan", e um dos mais aplaudidos na noite: os caça-fantasmas. Eles estavam com uma roupa prateada que produzia luz própria e uma arma. Atrás da fantasia, era possível ver o famoso símbolo dos caçadores de fantasmas. A rápida identificação também ficou mais que evidente na fantasia que lembrava o filme "A fuga das Galinhas", que arrancou risos da plateia. Quem também não tinha medo de nada eram as personagens de "Priscila, a Rainha do Deserto". Com uma fantasia bastante colorida dos pés a cabeça, a roupa manteve a linha de fácil assimilação promovida por Paulo.

Realismo na fantasia do Dinossauro

O terror chegou apenas no setor seguinte. A Múmia, Tubarão, Indiana Jones, a Noiva Cadáver, o palhaço It e Freddy Krueger. O principal destaque ficou por conta da fantasia do Parque dos Dinossauros. A idéia da roupa era bem básica: uma pessoa vestia por baixo a fantasia de dinossauro e apenas seus pés ficavam de fora. Mas o que mais chamou a atenção foi o realismo da vestimenta que realmente parecia um dinossauro.

- Usei vime, espuma e um segredinho - conta o carnavalesco ao explicar a fantasia do dinossauro.        

Para o último setor, Paulo Barros leva o cinema brasileiro ao Sambódromo carioca. Entra aí, o famoso personagem interpretado por José Mojica, o Zé do Caixão. Há citações ainda de "Lampião e Maria Bonita", o filme "Carlota Joaquina" e "Tiradentes"

- A ideia do enredo era de que o Barqueiro Caronte tentaria levas as almas das pessoas. Mas através de personagens de humor que provocam risadas, ele vê que a tarefa não vai ser fácil. Chegamos no cinema brasileiro e o Barqueiro percebe que não vai conseguir roubar alma de ninguém. Na verdade, o povo brasileiro dá uma rasteira na morte.